🇵🇹 ‘MLB The Show 26’ — O Jogo de Basebol Que Converte os Incrédulos

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O simulador de basebol mais completo e estrategicamente rico de sempre — e uma porta de entrada surpreendente para quem cresceu sem conhecer o desporto.

Tenho de ser honesto desde o início: cheguei ao MLB The Show 26 como um estranho e não sabia nem uma regra de basebol. Sei que há uns tipos que lançam bolas, outros apanham, outros correm. Os campos são esquisitos. Este american pastime ultrapassa a minha inteligência (particularmente a emocional). Como alguém genuinamente alheio ao desporto em si. Em Portugal, o basebol não existe na conversa quotidiana. Crescemos com o futebol. Conhecemos o Ronaldo muito antes de sabermos o que é um home run. Por isso, quando me sentei com o mais recente simulador da San Diego Studio na PlayStation 5, não tinha a certeza do que esperar — nem se seria capaz de apreciar verdadeiramente o que estava a ser oferecido.

O que encontrei foi um dos jogos de desporto tecnicamente mais ambiciosos, mecanicamente mais ricos e genuinamente mais educativos que já joguei. MLB The Show 26 não é apenas uma simulação de basebol. É, no melhor sentido da expressão, uma aula sobre como dar vida a um desporto — os seus ritmos, as suas pressões, a sua cultura e a sua história — de uma forma que ultrapassa qualquer fronteira geográfica ou cultural. Depois de horas atrás do plato, no monte de lançamento e no banco de suplentes, saí com um respeito genuíno pelo desporto e uma admiração profunda pelo que a San Diego Studio foi construindo ao longo de décadas de refinamento.

O simulador de basebol mais completo de sempre — e uma porta de entrada para o mundo inteiro.


O Desporto Que Não Conheci em Criança

Há algo de quase meditativo no basebol que não se percebe completamente até jogarmos. De fora, pode parecer estático — jogadores à espera, ação esporádica, pausas longas. Mas o MLB The Show 26 desfaz esse preconceito lançamento a lançamento. Cada at-bat é um duelo psicológico. Cada decisão ao plato, cada trajectória de arremesso, cada passe em relé desde a esquerda — são momentos carregados de consequência que o jogo comunica com brilhantismo.

Vindo de um país onde o desporto mal existe, este jogo tornou-se a minha universidade. Os menus, os tutoriais, o comentário — tudo conspira para nos fazer sentir acolhidos em vez de obrigados a já saber. Dentro de poucas horas, encontrava-me a compreender contagens de lançamentos, a contestar o árbitro através do novo sistema ABS Challenge, e a ler alinhamentos defensivos com a mesma naturalidade com que leio uma formação de futebol (que também honestamente digo, não sou grande especialista).

Esta edição — desenvolvida pela San Diego Studio e publicada pela Sony Interactive Entertainment em parceria com a MLB Advanced Media — é a mais ambiciosa de sempre. Aaron Judge, capitão dos New York Yankees e MVP da Liga Americana em 2025, regressa como atleta de capa pela segunda vez na história da franchise, desta vez com o equipamento da Selecção dos Estados Unidos para o Clássico Mundial. A escolha é deliberada e simbólica: esta é uma versão do The Show que quer chegar além do público tradicional. Quer falar de basebol como desporto global.

Para um jogador português sentado longe das bancadas do Yankee Stadium, a mensagem chegou.


Road to Cooperstown: A Carreira Que Finalmente Vai Até ao Fim

A grande novidade deste ano é a reformulação profunda do modo carreira, agora oficialmente chamado Road to Cooperstown. E o nome está à altura do conteúdo.

Pela primeira vez, a jornada começa no liceu — antes sequer do draft da MLB. O jogador é um jovem talento que precisa de ser notado. A partir daí, as decisões tomadas — a escolha de uma universidade, o desempenho no MLB Draft Combine, a impressão deixada nos observadores — moldam a trajectória de toda a carreira. O jogo conta agora com 19 universidades licenciadas, incluindo o torneio oficial NCAA College World Series, com a sua própria identidade televisiva e cerimónia própria. A narrativa dinâmica adapta-se ao desempenho do jogador — os bloqueios têm peso, as rivalidades desenvolvem-se, os momentos de glória são recordados.

A meta — Cooperstown, o Hall of Fame — está explicitamente enquadrada como destino final, conferindo a toda a experiência um peso narrativo que a maioria dos modos de carreira em jogos de desporto nunca consegue alcançar.

Joguei este modo durante muito mais tempo do que havia planeado. É o melhor endosso que lhe posso dar.


No Campo: Profundidade Estratégica Como Nunca

É aqui que o MLB The Show 26 faz a sua afirmação mais confiante. O conjunto de melhorias mecânicas implementadas este ano representa o maior salto qualitativo que a série apresentou em muito tempo.

O novo sistema Bear Down Pitching é a adição mais impactante: um recurso limitado que os lançadores activam em momentos críticos para ganhar precisão e controlo. Com um número restrito de utilizações por partida, a gestão deste recurso transforma-se numa decisão estratégica constante — uso-o agora para sair de uma entrada difícil, ou guardo-o para um momento mais decisivo? Para alguém a aprender o desporto, este único mecanismo ensinou-me mais sobre a psicologia do lançamento do que horas de leitura teriam conseguido.

Big Zone Hitting expande o controlo dos batedores sobre o plano de swing, recompensando a antecipação e o posicionamento correcto. O novo sistema ABS Challenge — que replica um mecanismo actualmente em fase de testes no basebol profissional real — permite contestar as chamadas do árbitro ao plato, com apenas duas oportunidades por jogo. Um desafio bem-sucedido é mantido; um falhado, perdido. A tensão que isto gera nos momentos críticos é genuinamente estimulante.

A inclusão das taxas reais de utilização de lançamentos de cada pitcher da MLB é outro pormenor extraordinário: os lançamentos raramente usados por cada atleta são mais difíceis de controlar no jogo, obrigando os jogadores a mimetizar o estilo real de cada lançador. É simulação no sentido mais puro e mais rigoroso do termo.

Por fim, mais de 500 novas animações de jogo — de novas trajectórias de lançamentos internos a receptores que podem agora posicionar-se com um joelho no chão — tornam cada momento mais verosímil. Estes detalhes são subtis individualmente, mas cumulativamente transformam a experiência.


Diamond Dynasty e o Clássico Mundial

O modo Diamond Dynasty — o mais popular da franchise — regressa este ano como a versão mais completa de sempre à data de lançamento.

A integração do Clássico Mundial de Basebol traz mais de 130 cartas temáticas, torneios completos desde a fase de grupos até à final, e a possibilidade de representar uma nação com o próprio plantel. Para um jogador português, ver equipas internacionais, o Tokyo Dome como estádio jogável, e uma dimensão verdadeiramente global incorporada no modo principal, é o momento em que a franchise finalmente parece falar para além das fronteiras americanas. É um passo significativo.

Os novos Red Diamond cards introduzem um nível de raridade acima do classificado de 99 geral. Os Parallel Modspermitem personalizar cartas com melhorias específicas de contacto, poder, defesa ou velocidade, tornando cada novo lançamento de cartas num puzzle de construção de plantel. O novo limite de 20 cartas por jogador tem gerado debate na comunidade — há quem defenda que estabiliza o mercado, há quem argumente que infla os preços — mas a intenção de reduzir a acumulação especulativa é saudável.

As Storylines: Negro Leagues Season 4 continuam a ser uma das características mais culturalmente relevantes de qualquer jogo de desporto. Através de narração histórica, desafios de jogo e material de arquivo, o modo homenageia atletas como John Henry ‘Pop’ Lloyd, George “Mule” Suttles e Roy Campanella — figuras que ajudaram a moldar o basebol mas que foram durante décadas apagadas da história oficial devido à segregação racial. Para quem não conhece a história do desporto, é também uma extraordinária porta de entrada.

A ressalva que se mantém: o Diamond Dynasty continua a ser, na sua essência, uma experiência de progressão exigente. Quem não se identificar com a colecção de cartas não encontrará aqui uma razão de conversão. Mas para quem jogar o modo com seriedade, este é o ano de lançamento mais rico que a série jamais ofereceu.


Franquia: A Gestão de Equipa Finalmente Cresce

O modo Franquia recebe este ano a sua actualização estrutural mais relevante em memória recente. O novo Trade HUB centraliza todas as transacções de jogadores e introduz transparência nas decisões da direcção desportiva. Em vez de tentar adivinhar o que a inteligência artificial valoriza, os jogadores passam a interagir com sistemas que se assemelham a departamentos de análise reais da MLB. O novo sistema de Lógica de Trocas confere profundidade genuína à construção de elenco: é possível acompanhar rumores, avaliar promessas e tomar decisões com consequências reais.

A integração da narrativa de pré-jogo na transmissão televisiva — com actualizações em tempo real sobre a posição do jogador dentro da organização e na liga — dá ao modo uma coerência narrativa que raramente se encontra em simuladores desportivos desta natureza. Os novos gráficos de lançamentos, as tabelas de distribuição de batimentos e a análise de utilização de pitchers acrescentam uma camada analítica que recompensa a atenção.

Para um recém-chegado, o modo Franquia é genuinamente avassalador na fase inicial — o volume de variáveis, regulações e decisões de direcção desportiva é considerável. Mas o jogo oferece suporte suficiente para que os sistemas comecem a encaixar, e quando isso acontece, gerir uma equipa ao longo de várias temporadas é uma das experiências de longa duração mais satisfatórias disponíveis em jogos de desporto.


Apresentação, Visuais e o Tratamento PS5

MLB The Show 26 tem como alvo 4K/60fps na PlayStation 5 com suporte HDR, e cumpre o prometido. Os modelos de jogadores são detalhados, os estádios estão bem reproduzidos, e a nova física dos equipamentos é um toque bem-vindo. A integração do DualSense — retroacção háptica para o estalo do bastão, gatilhos adaptáveis na mecânica de lançamento — continua a ser uma das melhores utilizações das capacidades do controlador da PS5 em qualquer jogo de desporto.

Contudo, o pacote visual não está isento de limitações. O aliasing nas arestas permanece visível, o detalhe das bancadas fica aquém do esperado de um título first-party em 2026, e a ausência de melhorias específicas para a PlayStation 5 Pro é uma omissão estranha para uma produção da Sony. Depois de vários anos de refinamento, a apresentação é polida o suficiente para ser imersiva, mas quem esperasse um salto geracional ficará desapontado.

A comentário foi enriquecida com mais diálogo contextual. O áudio autêntico de chamada de lançamentos através do comando é uma novidade interessante, mas polarizadora — acabei por reduzir o volume ao fim de algum tempo, pois ganha em atmosfera o que perde em clareza. Uma queixa menor numa experiência sonora que, no global, é excelente.


Vale a Pena?

MLB The Show 26 é o jogo de basebol mais completo alguma vez feito. Para os fãs da série, esta edição entrega a evolução mais ambiciosa da franchise: um modo de carreira que cobre uma vida desportiva inteira, mecânicas de campo que recompensam o pensamento estratégico genuíno, e um Diamond Dynasty mais rico no lançamento do que em qualquer ano anterior.

Para o estranho — o jogador português, o europeu que cresceu com o futebol e conhece o basebol apenas de nome — este jogo é, de forma notável, também uma porta de entrada. É paciente o suficiente para ensinar, profundo o suficiente para recompensar, e culturalmente rico o suficiente para nos fazer sentir que o que estamos a jogar tem peso real para além do marcador.

A estagnação visual num título first-party em 2026 é uma nota negativa real. O ciclo de progressão do Diamond Dynasty continua a afastar quem não se identifica com o formato. E o volume de sistemas pode intimidar genuinamente os recém-chegados. Mas nenhuma destas razões justifica ficar de fora.

As alterações ao jogo em campo são as mais significativas que a série introduziu em anos. Se sempre olhou para este desporto de fora, sem saber se havia um lugar para si, o MLB The Show 26 argumenta convincentemente que há.

Esta análise baseia-se numa cópia do jogo gentilmente cedida para fins de imprensa e análise. Esse acesso não influenciou a minha opinião.

Uma simulação desportiva ambiciosa e profundamente realizada, que eleva o modo de carreira e a mecânica de campo a novos patamares. Os visuais podem não ter acompanhado o ritmo — mas a experiência, essa, sim. Digo que, surpreendentemente, aprendi alguma coisa.

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‘MLB The Show 26’ Review – A Grand Slam for the Baseball Faithful, and a Worthy Discovery for Everyone Else

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