🇵🇹 AOC AGON PRO CS24A – A arma definitiva para esports em LCD

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600 Hz de Velocidade Pura e Nenhum Pixel para Contemplar

Há uma confissão que preciso de fazer antes de falar deste monitor: eu sou péssimo a Counter-Strike. Sempre fui. Tenho o tempo de reação de quem acorda de uma sesta e a pontaria de quem atira pedras a latas com os olhos fechados. E, no entanto, quando liguei o AOC AGON PRO CS24A/P — a edição limitada com a marca Counter-Strike 2 estampada no chassis em acentos cor de laranja — e lancei uma partida de deathmatch, durante exactamente três rondas senti-me invencível. Depois morri. Mas morri a ver tudo com uma nitidez que nunca tinha experimentado num ecrã LCD. E isso, para um monitor, é meio caminho andado.

O Que Está na Caixa (e o Que Custa)

Vamos ao essencial. O CS24A/P é um painel TN de 24,1 polegadas, resolução Full HD 1920×1080, com uma taxa de atualização nativa de 600 Hz que pode ser empurrada até 610 Hz via overclock no OSD. Tempo de resposta de 0,5 ms GtG — embora a medição real se situe nos 2,08 ms na configuração ideal de overdrive (nível 14 de 20), o que continua a ser o LCD mais rápido alguma vez testado. O MPRT, com a tecnologia MBR+ ativada, desce a 0,3 ms. A latência de input medida ronda os 0,8 ms — basicamente meio frame a 600 Hz. É absurdo.

O brilho máximo atinge os 410 nits (a AOC anuncia 500 cd/m², o que é generoso), e o contraste real medido fica nos 870:1, abaixo dos 1000:1 prometidos. Cobertura de cor: 99,5% sRGB, 94,3% DCI-P3, 90,8% Adobe RGB. O painel é de 8 bits nativos. Certificação VESA DisplayHDR 400, que neste contexto serve mais como selo no catálogo do que como experiência HDR real — não esperem miracles com um rácio de contraste destes.

Conectividade: duas HDMI 2.1, uma DisplayPort 1.4 (todas suportam 600 Hz a 1080p), hub USB 3.2 Gen 1 com quatro portas, saída de áudio. Dois altifalantes de 5W integrados que servem para menus e pouco mais. O suporte é totalmente ajustável — altura (150 mm), rotação (±28°), inclinação (-5° a +23°), pivot (±90°) — e suporta VESA 100×100. Nada a apontar na ergonomia.

O preço? Cerca de 600 libras no Reino Unido, o que traduzido para o mercado europeu ronda os 650–700 euros. Para um painel TN de 24 polegadas a 1080p, em 2026, é dinheiro a sério.


O Painel TN em 2026: Anacronismo ou Ferramenta Cirúrgica?

Vou ser directo: se me perguntarem se em 2026 faz sentido comprar um monitor TN, a resposta genérica é não. Os painéis OLED de 360 Hz e 480 Hz oferecem cores incomparavelmente melhores, contraste infinito, ângulos de visão sem degradação — e custam o mesmo ou menos. O ASUS ROG Swift OLED PG27AQDM existe. O Samsung Odyssey OLED G6 existe. O mundo mudou.

Mas a resposta genérica não serve para quem este monitor é feito. O CS24A/P não é um monitor. É uma ferramenta de competição. E nesse terreno específico — o terreno dos milissegundos, do pixel response, da cadência de frames acima de 500 — o TN ainda manda. Nenhum OLED no mercado atinge 600 Hz. Nenhum. E a diferença entre 360 Hz e 600 Hz, embora subtil para quem vê do sofá, é tangível quando estamos a fazer tracking de um alvo que se desloca a velocidade máxima num corredor do Dust 2.

O sistema MBR+ é o trunfo técnico. Vinte grupos de LEDs numa barra de retroiluminação dupla, cada um sincronizado com o ciclo de refresh. O resultado é uma clareza de movimento que elimina praticamente todo o ghosting e motion blur sem o custo habitual de brilho que o backlight strobing tradicional impõe. Com MBR+ ativo, o ecrã mantém-se utilizável em termos de luminosidade — não fica com aquele aspecto de televisão dos anos 90 que outros sistemas de strobing produzem.

Os ângulos de visão, contudo, são TN na sua pior forma: 170°/160° no papel, mas na prática qualquer desvio lateral de 20 graus começa a lavar as cores. O preto nunca é realmente preto — o nível de preto medido a brilho máximo situa-se nos 0,471 cd/m², o que explica o aspecto acinzentado em cenas escuras. E o gamma de fábrica é um desastre. No modo CS, o gamma médio mede 1,748 — muito abaixo do objectivo de 2,2. A imagem fica lavada, sobreexposta, com as sombras completamente esmagadas. A solução? Ignorar o gamma “2.2” do OSD e seleccionar “Gamma 2.4”, que paradoxalmente se aproxima mais do alvo real. É contraintuitivo, mal documentado, e um erro de calibração de fábrica que a AOC não devia permitir num produto deste preço.

Na Prática: CS2, Valorant e os Limites do Hardware

Testei o CS24A/P onde ele quer viver: Counter-Strike 2. Com uma RTX 4090 e um processador capaz de alimentar os 600 frames necessários em mapas competitivos, a experiência é reveladora. O tracking de alvos em movimento — especialmente peeking em ângulos apertados — tem uma fluidez que simplesmente não existe a 240 Hz ou 360 Hz. Há menos informação perdida entre frames, menos smearing nas transições rápidas, menos momentos em que o olho perde o alvo. O modo CS dedicado ajusta contraste e controlo de sombras para maximizar a visibilidade em zonas escuras dos mapas, e o Dynamic Crosshair da AOC — uma mira sobreposta ao ecrã — é mais do que um gimmick: em situações de no-scope, dá uma referência visual que pode fazer diferença.

Em Valorant, os benefícios são semelhantes. A 600 Hz, os modelos de agentes em movimento mantêm contornos definidos, e o spray control beneficia da cadência de informação adicional. As abilities com efeitos visuais intensos — os flashes da Phoenix, o Paranoia do Omen — resolvem-se mais depressa no ecrã, dando uma fração de segundo extra para reagir.

Em Overwatch 2, o cenário muda. É possível manter 400–500 fps com hardware topo de gama, mas raramente 600 de forma consistente. O monitor continua excelente, mas o delta em relação a um painel de 360 Hz torna-se menos perceptível. O Fortnite, com as builds e o caos visual que lhe são próprios, beneficia mais do baixo input lag do que da taxa de atualização bruta — e aí, os 0,8 ms medidos são um argumento forte.

Mas há uma verdade inconveniente: quase ninguém tem hardware para alimentar 600 frames por segundo de forma estável. Mesmo num título leve como CS2, é preciso uma RTX 4080 ou superior com um CPU de topo para manter os 600 fps em mapas competitivos com todas as definições visuais baixas. Para a esmagadora maioria dos jogadores, este monitor vai passar boa parte do tempo a funcionar a 300–400 Hz — e a essa cadência, a diferença em relação a um bom 360 Hz evapora.


Construção e Experiência de Uso

O chassis da edição CS2 é discreto na sua extravagância. Preto matte com acentos laranjas, logótipo Counter-Strike 2 no canto inferior e na traseira, iluminação RGB Light FX na parte de trás que pode ser desligada sem cerimónia. Não é berrante. Parece um monitor profissional com uma pitada de personalidade, o que é exactamente o tom certo.

O OSD é funcional mas visualmente datado — parece saído de 2018, com menus rectangulares sem qualquer animação. Cumpre a função, tem oito separadores organizados de forma lógica, e inclui o G-Menu da AOC como alternativa via software. Os controlos físicos são botões no canto inferior traseiro, sem joystick. Não é ideal, mas funciona.

O suporte PiP e PbP (Picture in Picture / Picture by Picture) é um bónus inesperado — permite manter uma segunda fonte visível enquanto se joga, útil para quem faz stream ou monitoriza um chat.

O Veredicto

O AOC AGON PRO CS24A/P é o monitor LCD mais rápido que alguma vez pus à frente dos olhos. A 600 Hz com MBR+ ativo, a clareza de movimento é cirúrgica — e para quem compete em CS2, Valorant ou qualquer shooter táctico onde os milissegundos decidem rondas, não há nada no mercado LCD que se lhe compare. A latência de 0,8 ms, o tempo de resposta de 2 ms em overdrive óptimo, e o suporte FreeSync Premium e G-Sync Compatible fecham um pacote técnico impecável.

Mas é um painel TN. Em 2026. A 650–700 euros. Com um gamma de fábrica deplorável, cores que não sobrevivem a um desvio de ângulo, e um contraste que faz qualquer OLED de 360 Hz parecer um televisor de cinema em comparação. Se não forem jogadores competitivos dedicados — e com o hardware para alimentar 600 frames — este monitor não é para vocês. E não há vergonha nenhuma nisso.

A arma definitiva para esports em LCD, presa a um painel que o resto do mundo já ultrapassou. Recomendado exclusivamente a quem compete — e compete a sério.

AOC AGON PRO CS24A – The fastest LCD ever made

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