Análise: Nintendo Switch Sports Resort

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SCORE8.6/10
PlatformNintendo Switch 2Additional DevicesBowers & Wilkins Px7 S3

A série de desportos por movimento da Nintendo sempre precisou de uma sala cheia para fazer sentido. Na Switch 2, dá finalmente à sala vazia uma razão para ligar a televisão, e isso muda o propósito de tudo o resto.

O problema de um jogo que depende de convidados

Todos os jogos desta série foram desenhados em função de um único momento: a sala a encher-se, os comandos a passar de mão em mão, o tio que descobre que uma bola de bowling se curva com um simples rodar do pulso. É um momento verdadeiro e vende consolas há vinte anos. O problema está nas outras seis noites da semana. Um jogo feito apenas para convidados passa a maior parte da vida numa prateleira, à espera deles.

O Nintendo Switch Sports, em 2022, nunca resolveu esta questão. Chegou com seis modalidades, um golfe prometido para mais tarde e um sistema de recompensas que só pagava a quem jogasse online. A solo, havia muito pouco para fazer. O Nintendo Switch Sports Resort é o primeiro capítulo que trata quem joga sozinho como um público a sério e não como uma nota de rodapé, e essa decisão de desenho redefine tudo à sua volta. A Nintendo teve a amabilidade de me ceder um código para esta análise.

É também um exclusivo da Switch 2, e isso pesa mais do que o nome deixa adivinhar. Os Joy-Con 2 fazem aqui coisas que os comandos originais não conseguiam, e uma das doze modalidades pura e simplesmente não existiria sem eles.

A ilha Wuhu, doze desportos e uma corda de saltar

O cenário é a ilha Wuhu, a estância tropical que acolheu o Wii Sports Resort em 2009, agora reconstruída para o novo hardware e povoada pelos Sportsmates estreados no jogo anterior. Podes jogar com um deles ou com uma personagem Mii, e ambos têm acesso ao guarda-roupa completo.

São doze modalidades. Nove são competitivas: boxe, ténis de mesa, tiro com arco, ténis, voleibol, bowling, basquetebol, golfe e luta de polegares. As outras três são aquilo a que o jogo chama desportos recreativos, pensados para percorrer a ilha livremente: skate, motonáutica e avião a hélice. O salto à corda aparece à cabeça como aquecimento, o que é ao mesmo tempo uma piada e um conselho sensato, porque algumas destas provas vão encontrar músculos de que já não te lembravas.

Cinco das modalidades competitivas transitam diretamente do jogo de 2022. As restantes regressam da era Wii ou são inteiramente novas, e é na fronteira entre estes grupos que se explica quase tudo o que este pacote tem de bom e quase tudo o que tem de frustrante.

Não há história no sentido tradicional, nem ninguém a quereria. O que o jogo tem, em vez disso, é estrutura, precisamente aquilo que mais faltava ao antecessor.

As modalidades que regressam, mais afinadas

O bowling continua a ser o coração da coisa, e merece sê-lo. O gesto é o mesmo balanço pendular de sempre, com o efeito aplicado por uma torção no momento de largar a bola, e continua a ser a única prova que qualquer pessoa percebe ao primeiro olhar. O que mudou foi o menu à volta. Há pistas especiais com obstáculos, o jogo de 100 pinos regressa dos tempos da Wii em todo o seu esplendor absurdo e libertador, e o bowling online junta até 16 jogadores, o que transforma uma modalidade tranquila num pequeno torneio.

O golfe, que o jogo anterior só recebeu tarde, através de uma atualização, está aqui desde o primeiro dia, com rondas de três, nove ou 18 buracos e até oito jogadores online. É a prova mais paciente da coleção e a que recompensa a precisão acima do entusiasmo. Os putts, sobretudo, funcionam melhor do que seria de esperar com um comando seguro como se fosse um taco.

O ténis mantém a estrutura de pares que já conhecias e acrescenta uma partida relaxada, com uma bola maior e mais lenta, uma concessão inteligente aos mais novos e a quem acha o ritmo normal das trocas de bola demasiado exigente. O basquetebol junta ao jogo principal a Luta de triplos, o Desafio de triplos e a Série de cinco.

O voleibol é o elo mais fraco entre os regressos. Continua a parecer um compasso atrasado em relação às tuas mãos, com uma janela para o remate perfeito mais estreita do que o gesto sugere. O modo Manchetes no ritmo, construído em torno de receções bem cronometradas, faz mais por ele do que o jogo principal, porque isola a parte do voleibol que os controlos realmente dominam.

As novidades: boxe, arco e um polegar gigante

O ténis de mesa é a melhor prova de que a deteção de movimento dos Joy-Con 2 é uma melhoria real e não apenas uma linha numa ficha técnica. As devoluções respondem ao ângulo e à velocidade do teu gesto de uma forma que permite colocar a bola com intenção, e a diferença entre um toque preguiçoso e uma pancada seca e angulada sente-se de imediato. O Desafio de devoluções, em que apontas a latas do outro lado da mesa, transforma essa precisão num jogo por si só. Online, o ténis de mesa é estritamente um contra um.

O tiro com arco é a prova mais táctil de todas. Seguras um comando como o arco e puxas a corda com o outro, e esse gesto carrega uma tensão física que nenhum botão conseguiria reproduzir. O vento conta, a distância conta, e uma regra especial em que cada jogador aponta à sua própria secção do mesmo alvo, em simultâneo, torna uma modalidade contemplativa surpreendentemente competitiva.

O boxe é a novidade que colocaria em último lugar, e a razão está na leitura dos gestos e não no desenho. A estrutura é sólida: socar, defender, contra-atacar, gastar a energia do adversário, chegar ao K.O. Só que, quando começas a encadear esquivas com ganchos e diretos a alta velocidade, os comandos perdem de vez em quando o fio à meada, e numa modalidade feita de reflexos uma leitura falhada é um assalto perdido. Diverte, se o jogares sem grandes pretensões. Não aguenta a pressão.

A luta de polegares é a grande surpresa, e não esperava vir a escrever esta frase. Seguras um único Joy-Con 2 na vertical e combates com o polegar no manípulo, a tentar prender o polegar do adversário antes que ele prenda o teu. No papel, é uma curiosidade. Na prática, tem uma camada táctica inesperada, construída sobretudo em torno de um bónus que faz inchar o teu polegar até um tamanho descomunal e torna a imobilização muito mais fácil, pelo que a decisão de quando o gastar acaba por ser o combate inteiro. A objeção óbvia, a de que duas pessoas no mesmo sofá podiam fazer isto com as mãos verdadeiras, falha o essencial. O jogo acrescenta ritmo, escalada e um árbitro que nunca discute.

Os desportos recreativos e a própria ilha

É nos três desportos recreativos que a ilha deixa de ser um cenário e passa a ser um lugar.

Na motonáutica, seguras os comandos como um guiador, rodas para trás para acelerar e inclinas o corpo para curvar sobre as ondas. No avião a hélice, inclinas o comando como se fosse um avião de brincar e voas para onde te apetecer. O skate é a modalidade que justifica sozinha a exclusividade na Switch 2: usa os controlos de rato dos Joy-Con 2, pelo que empurras a prancha a deslizar o comando sobre uma superfície e depois levantas e sacodes o comando para fazer manobras.

Cada desporto recreativo tem três portas de entrada. O passeio turístico é uma caça cronometrada às fotos Spocco, instantâneos colecionáveis espalhados pelos pontos mais emblemáticos de Wuhu. O Modo livre retira o relógio por completo. E cada um tem a sua vertente competitiva: a Corrida de skates e a Corrida marítima para quem gosta de velocidade, e a Batalha de bolas para o avião, uma espécie de combate aéreo em que roubas bolas aos adversários em pleno voo. A Batalha de bolas é a ideia mais estranha do jogo e uma das melhores.

O skate é também a modalidade que mais divide opiniões, e percebo porquê. Os controlos de rato são engenhosos e, quando o gesto finalmente encaixa, avançar por um passeio marítimo a varrer a mesa da sala com a mão parece estranhamente natural. Só que chegar lá demora mais do que em qualquer outra prova da coleção, e a direção nunca atinge a facilidade instintiva do avião ou da mota de água. É a única modalidade que não passaria a alguém que pega num comando pela primeira vez numa festa. Como atividade a solo, explorada ao teu ritmo, merece o lugar que tem.

Em conjunto, os desportos recreativos são o que faz a ilha parecer habitada. Procurar pontos fotográficos a partir do ar e depois passar pelo mesmo marco a rasar a água constrói uma noção de geografia que nenhuma das modalidades de arena consegue dar.

Os ases da ilha, o mais parecido com uma história

É este o modo que muda o propósito do jogo. Chama-se Island Crown na versão inglesa e dá a cada uma das nove modalidades competitivas uma escada de adversários controlados pela consola, que começa com suavidade e sobe até um campeão residente. A Aya reina no boxe, o Yunsu no ténis de mesa, a Ximena no tiro com arco. A Chloé e o Moritz detêm o título de ténis em dupla, tal como a Lingling e a Youyou no voleibol e a Ada e o Kanin no basquetebol. A Aaliyah é dona das pistas de bowling, o Filippo do campo de golfe e o Isamu, como não podia deixar de ser, do tapete da luta de polegares. Vence um destes ases e o jogo deixa no ar que há ainda um verdadeiro mestre da modalidade à tua espera.

Parece pouco, uma lista de adversários com nome próprio. Na prática, faz exatamente aquilo que sempre faltou à série. Dá a cada modalidade um destino, um desafio crescente e uma razão para aprender as técnicas mais finas que a maioria dos jogadores nunca descobre numa festa. Vários degraus usam regras especiais, por isso a subida não se reduz à mesma partida repetida. Os primeiros adversários quase pedem licença para perder. Os campeões não, e quando conquistei o troféu de todas as modalidades, uma mão-cheia desses encontros tinha exigido progresso a sério e não apenas sorte.

Os campeões entregam ainda as suas próprias roupas quando os derrotas, o que liga a escada diretamente ao sistema de personalização e dá a cada vitória algo visível para mostrar.

Sportsmates, Miis e um guarda-roupa que se ganha offline

O jogo anterior fechava as recompensas cosméticas atrás do jogo online, o que significava que quem mais gosta de vestir a personagem, os mais novos e as famílias, era precisamente quem menos ganhava. Essa decisão desapareceu. Os pontos Spocco chegam agora a cada partida que terminas, online ou offline, a solo ou com amigos, e trocam-se no Centro de itens por roupa, equipamento desportivo, penteados e mais.

O Centro de itens renova o stock semanal e mensalmente, e as peças saem ao acaso de cada coleção. Este fator sorte é a minha principal crítica ao sistema. Se quero um chapéu em particular, prefiro escolhê-lo a tentar a sorte, e algumas das coleções rotativas reciclam estilos do jogo anterior. Ainda assim, é um modelo muito mais justo do que o anterior e, entre roupas de campeões, Centro de itens e recompensas normais, o guarda-roupa cresce a bom ritmo sem nunca parecer um frete.

Podes guardar cinco estilos preferidos e alternar entre eles antes de cada modalidade, um pormenor que se revela mais útil do que parece. Pelos vistos, um equipamento de ténis e um de bowling são uma questão de princípio.

Imagem, som e os Joy-Con 2

Visualmente, é um jogo limpo, luminoso e deliberadamente simples. Wuhu nunca esteve tão bonita, e é no avião que isso mais se nota, porque é a única prova que te deixa abarcar a ilha inteira de uma só vez. Os Sportsmates continuam a dividir opiniões. São mais expressivos e muito mais personalizáveis do que os Mii, mas o desenho liso e algo anónimo dá ao conjunto um verniz genérico que o visual mais roliço e com mais personalidade da era Wii nunca teve. É uma escolha deliberada e defensável, e mesmo assim prefiro a ilha às pessoas que a habitam.

O jogo suporta HDR em televisores compatíveis e áudio surround, e vale a pena ativar ambos. O som pesa mais nesta série do que se costuma reconhecer. O estalido de uma boa devolução e o baque de um direto que entra são os sinais que dizem ao corpo que o gesto resultou, muitas vezes uma fração de segundo antes de os olhos o confirmarem, e a mistura sonora percebe bem essa função.

A verdadeira história técnica são os comandos. Tudo nesta coleção depende da fidelidade com que as tuas mãos passam para o ecrã, e com os Joy-Con 2 o boxe foi a única prova em que alguma vez duvidei da leitura. O ténis de mesa e o tiro com arco, em particular, estão mais precisos do que alguma vez estiveram na Wii ou na Switch original. Os controlos de rato, por sua vez, não são um truque colado à pressa. O skate é construído à volta deles e aponta um caminho para os jogos de movimento que a série nunca tinha explorado.

Jogar numa sala de estar a sério

Este é um jogo para a televisão. Funciona no modo TV e no modo de superfície estável, mas não no modo portátil, o que faz sentido numa coleção que vive de agitar comandos, mas convém saberes se a tua Switch 2 raramente sai da base. Arranja também espaço. Várias destas provas pedem gestos largos, e uma sala apertada transforma o ténis num desporto de contacto.

Em jogo local, a maioria das modalidades aceita até quatro jogadores, com o boxe e a luta de polegares limitados a dois. Cada jogador precisa do seu comando, e aqui fica um pormenor útil: os Joy-Con originais funcionam em todas as modalidades exceto no skate, que exige o sensor de rato dos Joy-Con 2. Se tens uma gaveta cheia de comandos antigos, a maior parte do jogo já está coberta. Uma sessão de skate a quatro, pelo contrário, implica quatro Joy-Con 2.

O jogo online assenta em dois níveis. Há uma liga competitiva que te emparelha com jogadores de nível semelhante, a começar no nível E e a subir à medida que vences. O modo online casual não guarda vitórias nem derrotas, que é exatamente o que procuras para uma partida rápida com desconhecidos a meio da semana. Os desportos recreativos só se jogam online através da sala com amigos, o que mantém os modos de exploração livre entre pessoas que se conhecem. As ligações aguentaram-se estáveis nas modalidades que joguei online e, embora a passagem entre salas pudesse ser mais fluida aqui e ali, nada disso atrapalhou uma partida.

A acessibilidade, no sentido mais amplo, continua a ser o grande trunfo da série. A barreira de entrada mantém-se quase nula, e a partida relaxada de ténis, os primeiros degraus da escada dos ases e o ritmo lento do golfe dão a quem hesita uma porta de entrada. Depois, a escada dos campeões e a liga online dão a quem leva isto a sério um sítio para onde ir. Esta amplitude, do primeiro lançamento de bowling de uma avó a uma partida de ténis de mesa em liga, é a maior que a série alguma vez abrangeu.

O que ficou em terra

A discussão mais acesa em torno deste jogo é sobre o que ficou para trás, e é uma discussão justa. Três modalidades do jogo de 2022 desapareceram: o futebol, o badminton e o chambara, a luta de espadas que vem do próprio Wii Sports Resort. O futebol, sobretudo, era a ideia mais inventiva do jogo anterior, e a falta dele sente-se. A ausência do chambara é ainda mais estranha, tendo em conta que o cenário é precisamente a ilha onde a luta de espadas apareceu pela primeira vez.

A segunda crítica decorre da primeira. O ténis, o voleibol e o ténis de mesa pertencem à mesma grande família de jogos de rede e de timing e, numa sessão longa, tendem a confundir-se. Doze modalidades é um número saudável, mas a variedade dentro dessas doze é mais estreita do que a contagem sugere. Um disc golf, ou qualquer prova que usasse os comandos de uma terceira forma distinta, teria feito mais pela coleção do que um terceiro jogo de rede.

Nada disto desfaz o que o jogo consegue, mas quem vem do anterior deve saber à partida que este é um alinhamento baralhado de novo e não um alinhamento alargado. O que cresceu foi tudo o que rodeia as modalidades: os modos, a estrutura, as razões para continuar a jogar.

Veredicto

O Nintendo Switch Sports Resort é o jogo mais completo que esta série já produziu, e a sua conquista mais discreta é finalmente funcionar quando não está mais ninguém em casa. A escada dos ases dá a cada modalidade competitiva uma subida que vale a pena, as recompensas offline corrigem a decisão mais injusta do jogo anterior e os desportos recreativos devolvem à ilha Wuhu o estatuto de lugar a explorar, em vez de um menu com uma praia pintada atrás. O ténis de mesa, o tiro com arco e a luta de polegares mostram o que os Joy-Con 2 conseguem fazer, e o skate mostra para onde o controlo por movimento pode ir a seguir.

Sou honesto quanto ao que falha. A leitura do boxe vacila sob pressão, o voleibol continua arrastado, as modalidades de raquete sobrepõem-se mais do que deviam e a perda do futebol e das espadas deixa buracos que as novidades não tapam por completo. Nenhum destes problemas é grave o bastante para estragar uma festa, e é na festa que este jogo continua a ser mais ruidoso e mais feliz.

Compra-o se a tua Switch 2 vive debaixo da televisão e a tua sala se enche, nem que seja de vez em quando, e compra-o com ainda mais confiança se jogas sozinho, porque pela primeira vez nesta série essa é uma excelente forma de passar uma noite. Passa à frente se jogas quase só no modo portátil, ou se o futebol era a razão pela qual mantinhas o jogo anterior instalado.

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