O filme The Bluff estreia na Prime Video a 25 de fevereiro de 2026 e recupera o imaginário da pirataria com uma protagonista feminina que tenta proteger a família quando o passado volta para a assombrar. Do outro lado do confronto está Karl Urban, que dá vida ao implacável Capitão Connor — um homem preso a um mundo que já não existe e consumido por uma obsessão que vale mais do que qualquer tesouro.
Em The Bluff, Urban veste a pele de Connor, antigo capitão da Companhia das Índias Orientais e agora pirata proscrito, movido por dois objetivos que se confundem: a vingança contra Bloody Mary e a ideia de “liberdade” sob a forma de um perdão total pelos anos de pirataria.
Nesta entrevista exclusiva ao Candey+, o ator fala da relação (e da ferida) que define a personagem, do trabalho com Priyanka Chopra Jonas, do peso físico das cenas de ação e da forma como construiu um antagonista que, para lá da ameaça, carrega uma melancolia quase inevitável.
Entrevista com Karl Urban
Pode apresentar-nos a sua personagem, o Capitão Connor?
Karl Urban: Interpreto o Capitão Connor. É um antigo capitão da Companhia das Índias Orientais e, agora, um pirata fora-da-lei. É um homem guiado por um objetivo que vale mais do que qualquer tesouro. Alimenta-se de duas forças: uma sede obsessiva de vingança contra Bloody Mary e a procura de liberdade — na forma de um perdão completo por toda uma vida de pirataria.

O filme acompanha uma antiga pirata que tenta proteger a família quando o passado a alcança. Como é que Connor se encaixa nesta história e o que o atraiu para este papel?
Karl Urban: O que me atraiu no projeto foi a oportunidade de interpretar um homem que já sobreviveu à sua utilidade. Connor é o último de uma espécie em extinção, a viver num mundo que evoluiu — política e moralmente — para lá da função dele. É um mundo que homens como ele ajudaram a construir, mas que já não tem lugar para eles viverem. Senti uma tragédia inerente em Connor. É um homem traído tanto pelo seu país como pela mulher que ama. Psicologicamente e existencialmente, isso é uma combinação poderosa para explorar — qualquer pessoa que já tenha sido traída consegue identificar-se. Sinto que isso lhe partiu e endureceu o coração. No fundo, vejo isto como uma história de amor trágica… com o volume no máximo.

Como foi trabalhar com Priyanka Chopra Jonas e como exploraram as vossas personagens e cenas em conjunto?
Karl Urban: Eu não conhecia bem a Priyanka nem o trabalho dela antes das filmagens. Foi um prazer trabalhar com ela e fiquei impressionado com a paixão e o compromisso que trouxe para o papel. A fisicalidade que ela dá a Bloody Mary é, na minha opinião, incomparável. Há uma cena em que ela fica sem fôlego depois de ser atirada de uma janela e é, sem exagero, a melhor interpretação de “ficar sem fôlego” que já vi. A sério — é ao nível da Sigourney Weaver.
Tem algum filme ou livro de piratas de referência — e isso influenciou a sua interpretação?
Karl Urban: Adoro os filmes Piratas das Caraíbas — e adorei o Geoffrey Rush como Barbosa. Mas o Capitão Connor está mais alinhado com o Capitão Ahab, do Moby Dick de Melville. São personagens movidas por uma obsessão que não se esgota. Também senti uma ligação ao Lee Van Cleef em O Bom, o Mau e o Vilão: um antagonista calculista e implacável.

Pode contar-nos mais sobre o trabalho de duplos, coreografia de luta e treino de combate? Foram competências novas para si? Houve cenas particularmente exigentes?
Karl Urban: Adorei trabalhar com a nossa equipa de duplos, incrivelmente talentosa, liderada pelo Rob Alonso. Já não usava uma lâmina num filme há bastante tempo. Gosto da forma e do fluxo do trabalho com espada; sinto que me sai naturalmente. Provavelmente sou um dos poucos atores que ainda pode dizer que foi treinado pessoalmente pelo Darth Vader (ou seja, o Bob Anderson), com quem tive a sorte de trabalhar em O Senhor dos Anéis. As cenas de luta que filmámos para The Bluff foram tão fisicamente exigentes que tanto eu como a Priyanka puxámos pelos limites — e ambos apanhámos a nossa quota-parte de pancadas pelo caminho.
Lutar com espada é mais ou menos intimidante do que a coreografia de combate em The Boys?
Karl Urban: Nem mais, nem menos. No fundo, é a mesma disciplina. É preciso dedicar tempo e energia a ensaiar e aprender os movimentos — não é coisa para improvisar. No fim, é um exercício de coordenação e confiança.
O realizador Frank E. Flowers é conhecido pela forma como conta histórias. Como foi a sua experiência com ele e de que modo influenciou a sua performance?
Karl Urban: Adorei colaborar com o Frank. É um realizador brilhante e muito talentoso. Como ator, apreciei imenso o facto de ele ter sempre uma visão clara do que queria. Acho que ele tem os elementos que fazem um grande realizador: é super tranquilo, mas focado; muito colaborativo; e, mais importante, rodeia-se de uma equipa excelente e dá-lhes espaço para elevarem o material. Voltava a trabalhar com ele num instante. É um verdadeiro cavalheiro.
Ficou com alguma recordação do set?
Karl Urban: Fiquei, sim — com um objeto. A faca do Connor. Roubei-a. É isso que os piratas fazem.

O duelo e a ferida por trás do vilão
No centro de The Bluff está um choque entre passado e presente: de um lado, uma mulher que tenta proteger o que construiu; do outro, um homem “fora do tempo”, a quem já não sobra lugar num mundo que ajudou a erguer. É nessa contradição que Karl Urban encontra a chave do Capitão Connor — menos um vilão de manual e mais uma figura marcada pela perda, pela traição e por uma obsessão que se tornou identidade.
Com cenas de ação desenhadas para serem sentidas no corpo (e não apenas vistas no ecrã), Urban sublinha a dimensão artesanal do combate: ensaio, precisão e confiança — como se cada golpe fosse também uma forma de revelar carácter.
The Bluff estreia na Prime Video a 25 de fevereiro de 2026. Até lá, fica a promessa do próprio Urban: uma história trágica e intensa, “com o volume no máximo”.

