Bubbly Basin abre o passe de três partes com uma vila subaquática que aproveita o melhor de Pokopia, enquanto a atualização gratuita 2.0 corrige, em silêncio, o pior do jogo base.
Cinco meses na pele de um Ditto
Não esperava que Pokémon Pokopia fosse o jogo que tomou conta da minha Switch 2 este ano. Quando a Game Freak e a Omega Force da Koei Tecmo o puseram à venda a 5 de março, um simulador de vida protagonizado por um Ditto a fingir que é humano soava a curiosidade, daquelas que se admiram num fim de semana e depois ficam na prateleira. Aconteceu o contrário: tornou-se o jogo que abro quando não sei o que quero jogar, e não há elogio maior neste género. Terminei a história, levei o nível de ambiente de todas as vilas ao máximo e continuei na mesma, porque o ciclo de restaurar um mundo em ruínas, habitat a habitat, nunca deixou de me prender.
Por isso, quando a Nintendo anunciou o Expansion Pass na Direct de 9 de junho, a minha dúvida nunca foi se queria mais Pokopia. Foi se um passe pago dava mais do que uma demão de tinta nova sobre o mesmo jogo. A primeira das três partes, Bubbly Basin, chegou a 5 de agosto, e depois de a levar até ao fundo, literalmente, já tenho resposta. No essencial, sim, com um asterisco sobre o calendário a que volto mais à frente.

O que está dentro da expansão
O conteúdo chega em três vagas. A primeira é Bubbly Basin, uma vila subaquática com história própria, Pokédex própria, mobília nova e roupas novas para o Ditto. A segunda está prevista para o final de 2026, não traz vila nenhuma e aposta antes em acessórios que os Pokémon podem usar, além de funcionalidades ainda por detalhar. A terceira só chega em 2027, com uma segunda vila nova. Comprar o passe hoje entrega ainda uma receita de blocos e papel de parede com padrão dinâmico de Ditto, mais um código enviado por email com 30 lingotes raros de Pokémetal.
Nada disto surpreende quem acompanha a série. As expansões pagas tornaram-se prática corrente em Pokémon, de The Hidden Treasure of Area Zero em Scarlet e Violet ao Mega Dimension de Legends: Z-A, e um jogo tão assumidamente infinito como Pokopia ia sempre receber uma. O que eu não dava por garantido era o formato: uma compra única que cobre mais de um ano de lançamentos, com preço fechado e o calendário anunciado à cabeça. Prefiro essa honestidade ao gotejar de pacotes vendidos à peça, mesmo que signifique pagar hoje por conteúdo que só existe em 2027.
Antes de gastares um cêntimo, convém saberes o que o jogo te exige à entrada. O portão de Bubbly Basin só abre depois de completares o pedido “Raise the environment level!” em Bleak Beach e de aprenderes Dive, que por sua vez pede Surf. Se abandonaste Pokopia cedo, tens trabalhos de casa entre ti e o conteúdo novo.

A atualização 2.0 muda o jogo para todos os jogadores
Aqui entra a parte que complica a conta, e prefiro ser direto. A melhor coisa lançada a 5 de agosto é gratuita. A versão 2.0.0 dá a todos os jogadores o movimento Dive, liberdade total debaixo de água e a possibilidade de construir casas submersas em qualquer vila já existente. Acrescenta o Portal Pod, que finalmente permite chegar aos itens guardados a partir de qualquer zona e resolve grande parte da confusão de arrumação que me irritava desde março. Junta um cofre, movimentação de itens em massa, a opção de desligar o aviso de confirmação que interrompia certas habilidades, emotes novos e cores de cabelo novas. Os telhados passaram a bloquear a água, um detalhe que ganha peso assim que começas a construir abaixo da superfície.
É uma lista séria, e cai no jogo de quem paga e de quem não paga. Também significa que o passe tem de justificar o preço apenas com Bubbly Basin, porque a mecânica de cartaz saiu de borla. Justiça seja feita: é assim que se estrutura um DLC, e mostra uma equipa com planos para sustentar Pokopia durante anos em vez de o ordenhar.

Mergulhar é a melhor coisa que aconteceu a Pokopia
E a vila passa a fasquia. Bubbly Basin é o espaço mais interessante do jogo inteiro, uma região afundada feita de grutas abaixo da superfície, grutas acima dela e terra seca no topo, tudo ligado por água onde te moves com liberdade total. Nadar com o Ditto é natural desde o primeiro segundo: sobes, desces e aceleras sem atrito, e no momento em que percebi que podia entrar numa casa a meio da obra pelo teto aberto, os telhados passaram a opcionais nas minhas construções. Os Pokémon daqui também nadam a todas as profundidades, pelo que uma casa colocada a dez blocos do fundo do mar fica tão acessível para eles como uma assente no chão, e a vila inteira ganha uma verticalidade que nenhuma região de superfície consegue igualar.
Construir debaixo de água é de facto diferente, e não apenas o mesmo com outra cara. Os itens soltos ficam à deriva, os blocos partidos sobem em vez de cair, há blocos flutuantes novos que ancoram estruturas em pleno mar aberto e casas inteiras podem pairar sobre o fundo. A minha única queixa real do lado da construção são os destroços: parte uma parede de blocos lá em baixo e os fragmentos amontoam-se à volta da câmara de uma forma que nunca acontece em terra, e limpar a vista torna-se uma pequena tarefa por direito próprio. Também tenho de apontar o que o mergulho livre vale fora da vila nova. As cinco regiões do jogo base ganharam oceanos onde podes entrar, mas ninguém lá pôs nada além de remoinhos que funcionam como os pontos de brilho em terra. Nadar naquele vazio deixa claro que a água foi desenhada para Bubbly Basin, e que no resto do mapa é apenas tolerada.

Cinquenta Pokémon novos e uma Pokédex à parte
Colecionar funciona aqui como em todo o Pokopia, e vale a pena explicar como, para quem ainda hesita perante o jogo em si: as espécies só aparecem depois de construíres o habitat que lhes serve, os habitats sobem o conforto dos Pokémon que lá vivem, e o conforto é o que mantém os residentes por perto. Não há forma de forçar o processo. Podes nadar pela Bacia uma noite inteira sem conhecer ninguém novo se o recife certo, com a mobília certa, não estiver de pé nalgum lado, e é precisamente essa pressão que dá sentido à metade construtora do jogo.
A Bacia tem Pokédex própria, que se abre na primeira conversa com o Popplio, e vai até às 50 espécies distribuídas por 36 habitats novos. A seleção é inteligente e estende-se de Kanto a Paldea: Cloyster, Totodile, Mudkip, Popplio, Wugtrio, Lumineon, Dhelmise. Os tipos de água eram a categoria mais magra do jogo base, e este elenco corrige isso de uma vez. O mítico Manaphy entra pela história, o Phione preenche a casa ao lado, e já foi anunciado um evento centrado em Feebas e Milotic. Uma particularidade do desenho de Pokopia ajuda os completistas: como cada linha evolutiva entra por inteiro assim que um dos seus membros aparece, confirmar uma fase diz-te o que aí vem, e a Pokédex da Bacia completa-se mais depressa do que os números fazem crer.
É na construção de habitats que o DLC sobe a dificuldade sem alarido. Os elementos subaquáticos não existem no jogo base, vários exigem materiais que vais ter de procurar a sério e pelo menos um, o Mermaid’s Gym, pede itens genuinamente raros antes de fazer aparecer o que quer que seja. E ainda bem. O fim de jogo de Pokopia tinha-se transformado numa rotina de carimbar canteiros de relva, e ser obrigado a voltar à recolha de materiais devolveu tensão ao ciclo de colecionar. O que me agrada menos é o teto: não há um único Lendário novo em toda esta vaga. Para um passe vendido em parte pela Pokédex, fechar a primeira parte sem uma captura de cartaz é uma carta óbvia deixada na mão, presumivelmente guardada para 2027.

Uma história que já conheces de cor
A narrativa da Bacia é o elo mais fraco do pacote, e sou honesto quanto ao motivo: já a viveste cinco vezes no jogo base. Chegas a um sítio em ruínas, conheces os residentes, aceitas pedidos, sobes o nível de ambiente, vês a cor regressar. É calorosa, por vezes bonita, e o cenário submarino veste-a bem, mas a estrutura é uma fotocópia, e quem esperava que o conteúdo pago arriscasse alguma coisa na escrita não vai encontrar esse risco aqui.
O ritmo também tropeça. Pokopia insiste em ensinar-te outra vez o básico à entrada da Bacia, com explicações de sistemas que qualquer jogador capaz de ter chegado a Bleak Beach domina há muito. Para um conteúdo que só se alcança a fundo na campanha, tanta cautela é difícil de entender, e a primeira hora arrasta-se por causa dela. Assim que a vila abre a sério, o ritmo antigo instala-se e as horas voltam a desaparecer como sempre desapareceram. Mas a rampa de entrada merecia mais respeito pelo teu tempo.

Um postal subaquático na Switch 2
No plano visual, Bubbly Basin é o melhor argumento que Pokopia já apresentou a seu favor. O traço suave, de caixa de brinquedos, ganha uma dimensão inteira com a água: a luz cai em colunas através da superfície, a cor lê-se de outra maneira em profundidade, e um bairro terminado a brilhar no fundo de uma gruta escura é a imagem mais forte que o jogo produziu até hoje. Os pormenores vendem a física, dos itens à deriva quando os largas aos destroços que sobem em vez de cair. A legibilidade, o meu receio à partida, revelou-se um falso problema; mesmo nas secções mais fundas nunca perdi a noção de onde acaba um habitat e começa o mar aberto.
A mobília nova e as roupas do Ditto também fazem pela vida. Os kits da Bacia puxam ao náutico, destacam-se de imediato contra tanto azul, e ter peças pensadas para serem vistas de cima e de baixo muda a maneira de compor uma construção de formas que os conjuntos de superfície nunca me pediram. Vestir o Ditto para as profundezas é, claro, perfeitamente inútil, e é exatamente o tipo de inutilidade encantadora de que este jogo vive. O meu guarda-roupa cresceu mais numa semana de Bacia do que nos meses anteriores.
O som mantém o registo suave do resto de Pokopia, abafado e arredondado q.b. assim que desces abaixo da superfície, e sabe manter-se fora do caminho, que neste género é a escolha certa. Nada daqui vai entrar na lista das bandas sonoras do ano, e nada precisava de entrar.

Valor, ritmo e o que aí vem
Vamos às contas. 12 euros por vaga, e Bubbly Basin sozinha levou-me bem para lá do que essa fatia do dinheiro prometia: uma vila inteira para restaurar, 50 espécies para alojar, um espaço de construção sem paralelo no jogo base. Avaliada como um terço do passe, a primeira parte é um bom negócio. Avaliada como a única coisa em que podes tocar até ao final de 2026, pede paciência, e o facto de a segunda vaga não trazer vila nenhuma empurra o próximo bloco de conteúdo comparável para 2027.
É isso que molda a minha recomendação, mais do que qualquer defeito da Bacia em si. Quem tem Pokopia em rotação e o mapa no máximo vai devorar isto e dar o dinheiro por bem gasto. Quem parou antes de Bleak Beach está a comprar uma porta fechada mais trabalhos de casa, quando a atualização 2.0 já lhe oferece de graça a peça mais transformadora de todo o lançamento.

Veredicto
Bubbly Basin é Pokopia no seu melhor: uma vila bonita, vertical e mecanicamente fresca, aparafusada a um modelo de história que o jogo já usou seis vezes. A atualização gratuita que a acompanha resolve a arrumação, agiliza a construção e dá a água a todos, o que faz do passe uma compra de conteúdo e não de funcionalidades. E o conteúdo é forte. Compra-o já se Pokopia continua na tua rotação e queres a melhor região do jogo. Espera pela terceira parte se o largaste há meses, porque a atualização vai puxar-te de volta sem custos, e o passe não foge dali.