Star Fox (Nintendo Switch 2): Análise

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9.5

Analisado na Nintendo Switch 2

Autorização para Descolar

Há sagas que se tornam lendárias precisamente por se ausentarem. A Star Fox passou quase uma década em terra e, nesse silêncio, o Sistema Lylat ganhou o brilho daquilo que só recordamos por alto: um esquadrão de animais falantes dentro de um caça poligonal que ensinou uma geração inteira para que serve um barrel roll. A Switch 2 traz a equipa de regresso e fá-lo voltando ao ponto exato onde a série encontrou a sua voz. Estamos perante um remake de raiz de Star Fox 64, reconstruído de cima a baixo pela Velan Studios, e considero-o a montra mais segura que a própria Nintendo lançou na nova consola até hoje. Sentei-me preparado para uma viagem de nostalgia e levantei-me convencido de que esta é a versão que todas as tentativas anteriores procuravam sem o saber.

O que primeiro me impressiona é a forma como a Nintendo evitou reinventar a roda e, ao mesmo tempo, poliu cada raio dessa roda. O esqueleto é puro 1997: corredores de fogo laser, rotas de missão ramificadas, um elenco que qualquer fã recita de olhos fechados. Tudo o que envolve esse esqueleto é novo, e o resultado parece menos uma peça de museu e mais a montagem definitiva de um filme que só tínhamos visto numa cassete gasta.

O Briefing da Missão

A premissa não mudou, e não precisa de mudar. Fox McCloud, filho do ás desaparecido James McCloud, entra na Arwing e lidera a sua equipa contra o Dr. Andross, um cientista exilado que transforma o mundo morto de Venom numa rampa de lançamento para a guerra contra o Sistema Lylat. Falco Lombardi traz a atitude, Peppy Hare a sabedoria conquistada a custo e Slippy Toad o alívio cómico que, não por acaso, é o pior inimigo da nossa barra de escudo. É uma ópera espacial para crianças com um núcleo emocional surpreendentemente sólido, e esta versão aposta nesse núcleo com mais convicção do que qualquer outra.

Em termos de estrutura, a campanha é uma constelação de planetas alcançados através de um mapa ramificado. Concluímos Corneria e o caminho bifurca-se; se voarmos bem e escolhermos a saída mais difícil, somos encaminhados para mundos mais exigentes e para uma estrada mais longa até Venom. A maioria das fases envia-nos por um corredor on-rails, em que a Arwing avança sozinha e a nós cabe a pontaria, o desvio e a sobrevivência. Outras largam-nos em arenas de voo livre, o clássico modo all-range, onde perseguimos os inimigos com total liberdade. Foi sempre esta mistura o motor da rejogabilidade da série, e continua a cumprir o seu papel com elegância.

Mãos no Manche

O voo é imediato de uma maneira que disfarça tudo o que está a acontecer por baixo. Temos o laser com disparo carregado e fixação de alvo, um número limitado de bombas para multidões e chefes, o acelerador e o travão para gerir a posição na faixa, e os recursos defensivos de sempre: o salto mortal, a inversão de marcha e a rotação que afasta o fogo inimigo. O conselho do Peppy mantém-se válido e o jogo continua incapaz de resistir a pedir-nos um barrel roll, que tecnicamente é um aileron roll, uma piada que a série carrega há quase trinta anos e não tenciona largar.

Os anéis recuperam o escudo e alimentam o acelerador, os dourados com mais generosidade do que os prateados, e cada fase esconde objetivos opcionais que premeiam a precisão em vez do pânico. Os três níveis de dificuldade alteram muito mais do que a resistência dos inimigos: os modos mais difíceis reorganizam os padrões de ataque e exigem um voo mais limpo, e é aí que este remake justifica o seu valor. O comportamento clássico da Arwing está afinado com verdadeiro cuidado. É tolerante o suficiente para nos fazer sentir heróis e rigoroso o suficiente para castigar o desleixo, exatamente o equilíbrio de que um shooter on-rails depende para viver ou morrer.

A grande novidade jogável é a mira por rato através do Joy-Con 2. Pousamos o comando numa superfície, deslizamo-lo sobre a mesa e o sensor ótico converte esse movimento na posição da mira, permitindo apontar de forma independente da direção da nave. É uma ideia genuinamente inteligente, sobretudo nas arenas de voo livre, e pode ser ativada ou desativada a meio da missão na campanha e no Modo Desafio. Depois de lhe dar uma hipótese honesta, voltei sempre ao manche para a campanha principal, onde décadas de memória muscular pedem o polegar num analógico, mas o rato transforma os combates contra chefes em algo próximo de um quebra-cabeças de precisão. Os puristas ficarão contentes por saber que o comando sem fios da N64 é suportado, e existe ainda uma vista subjetiva a partir do interior do cockpit para quem quiser sentir a cabina fechar-se à sua volta.

O Sistema Lylat Repintado

Esta é, de longe, a série mais bonita de sempre. Os modelos das personagens são gerados em tempo real durante as cinemáticas, e os animadores deram ao Fox e companhia uma amplitude de expressão que a saga nunca tinha tido espaço para mostrar. O pelo capta a luz, o vidro do cockpit mancha-se com o brilho dos motores e cada planeta carrega uma paleta distinta, do céu azul e limpo de Corneria à névoa alaranjada e doentia de Venom. É o tipo de trabalho que nos faz perdoar o esforço pedido à máquina, e a Switch 2 segura uma fluidez estável mesmo em ecrãs verdadeiramente atarefados.

Convém abordar o assunto que paira no hangar. Quando os novos modelos foram revelados, o estilo artístico mais realista dividiu opiniões, e percebo porquê. As imagens estáticas não favorecem as personagens. Em movimento, porém, as minhas dúvidas evaporaram-se ainda na primeira fase. São versões expressivas e carismáticas de caras que conheço há anos e, no instante em que os quatro se juntam em formação no ecrã, não há como confundir quem ali está. A bênção do criador original destes personagens foi bem merecida.

Uma Família, uma Guerra e um Génio Louco

A história sempre foi ténue no papel e rica no sentimento, e esta versão dá finalmente espaço a esse sentimento para respirar. As cinemáticas com vozes e os verdadeiros briefings de missão entre fases transformam um punhado de frases de rádio em algo com forma: o Fox a carregar o peso do legado do pai, a camaradagem da equipa a endurecer em cumplicidade genuína, a rivalidade com a Star Wolf a azedar até se tornar pessoal. Um prólogo centrado em James McCloud assenta a base emocional antes de dispararmos um único tiro, e essa base dá frutos mais tarde de uma forma que não vou estragar.

As rotas ramificadas fazem com que a nossa versão dos acontecimentos seja em parte só nossa, e chegar ao confronto verdadeiro com Andross exige esforço e mão firme nos caminhos mais difíceis. Esse combate final, e a segunda forma que espera por detrás dele, é o género de momento que justifica toda a viagem. Nada disto reinventa a narrativa, mas dá tecido conjuntivo real a um esqueleto muito amado, e o resultado comoveu-me mais do que um enredo de Star Fox tem direito a comover.

Motores e Orquestra

A banda sonora é um triunfo. Os temas são os que ficaram gravados em quem cresceu com a cassete da 64, reconstruídos numa regravação orquestral completa feita nos estúdios de Abbey Road, e a diferença é enorme. O tema de Corneria ergue-se onde antes apenas chilreava, a música dos chefes ganhou peso e ameaça, e os momentos calmos de briefing são pontuados com contenção em vez de enchimento. A música acompanha a ação, subindo à medida que um combate se intensifica e recuando quando paramos para respirar. As vozes estão bem misturadas por cima de tudo e a paisagem sonora, do zumbido dos motores gémeos da Arwing ao estalo satisfatório de um tiro carregado, tem detalhe suficiente para recompensar uns bons auscultadores.

Companheiros de Esquadra e Rivais

O multijogador é uma fatia bem maior do pacote do que eu esperava. O modo cooperativo deixa um segundo jogador entrar para partilhar uma única Arwing, um a pilotar e o outro a disparar, um arranjo deliciosamente tenso que transforma a campanha num exercício de comunicação, e funciona localmente ou através do GameShare com alguém numa Switch original. O Modo de Batalha é a verdadeira surpresa: oito jogadores divididos entre a Equipa Star Fox e a Equipa Star Wolf em mapas baseados em objetivos, com metas como a recolha de carga e o controlo de território em vez do simples combate até à morte. O foco nos objetivos dá ao combate aéreo um propósito para lá da contagem de abates, e cada um dos três cenários pede táticas diferentes. Foi a maior diversão que tive num modo multijogador da Nintendo nos últimos tempos. O suporte para GameChat, com filtros de webcam que colam a cara de um membro da equipa sobre a nossa, é um toque tão disparatado quanto encantador, e encaixa no tom na perfeição.

Traçar Todas as Rotas

Este é um jogo construído para ser rejogado, e sabe-o. O mapa ramificado faz com que uma única passagem nos mostre apenas uma fatia do que está aqui, e perseguir as rotas alternativas, os objetivos escondidos e o final verdadeiro puxa-nos de volta com naturalidade. O Modo Desafio acrescenta uma camada de caça à melhor pontuação para quem quer dominar e não apenas terminar, e a escolha entre manche e rato dá-nos, na prática, duas maneiras de reaprender cada fase. Para uma campanha cujos créditos um piloto determinado pode ver numa tarde, sobra uma quantidade notável de estrada para percorrer depois disso.

Do Lugar do Piloto

O prazer deste jogo está no tato. A Arwing responde no instante em que lho pedimos, a curva de dificuldade respeita o nosso tempo e o ciclo de desviar, apontar e limpar o ecrã é tão viciante hoje como era num televisor de tubo. Se tenho uma reserva genuína, é a de que isto continua a ser, na sua base, um jogo que joguei de uma forma ou de outra ao longo de anos. A Nintendo já tinha refeito Star Fox 64, e o conteúdo novo, por mais generoso que seja, assenta sobre uma estrutura familiar em vez de a reconstruir. Quem esperava um capítulo inteiramente novo para a saga vai ter de continuar à espera.

Acho essa reserva fácil de pôr de lado, porque a execução roça a perfeição. É um mestre artesão a restaurar uma pintura clássica, cada cor mais viva, cada linha mais nítida, e o ato de restauro feito com tanto amor que discutir originalidade passa a parecer irrelevante. É a forma mais completa, mais bonita e mais divertida que esta história alguma vez teve para se jogar.

Vale a pena?

A Star Fox na Switch 2 é a maneira definitiva de viver um dos melhores jogos de ação da Nintendo e uma montra do que o novo equipamento consegue fazer nas mãos certas. Joga-se de forma soberba, soa magnificamente, está melhor do que a série alguma vez esteve e envolve finalmente o seu modelo de voo intemporal numa apresentação à sua altura. Escolheu o polimento em vez da reinvenção, e o polimento é tão total que a troca compensa. Este jogo é imprescindível na tua biblioteca.

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