A unidade que tenho em cima da secretária é a caixa europeia RC73XA-NH011W, com 24GB e 1TB, e passou nove meses a tornar-se discretamente aquilo que a ASUS e a Microsoft prometeram em outubro. O que mudou foi quase tudo software. O que não mudou continua a pesar.
Panorama geral
Todas as ROG Xbox Ally X do mundo têm exatamente os mesmos componentes por dentro: um Ryzen AI Z2 Extreme, 24GB de LPDDR5X-8000, uma unidade PCIe 4.0 de 1TB e uma bateria de 80Wh. A única coisa que varia entre referências é a caixa. A minha é a versão de retalho internacional, modelo RC73XA-NH011W, P/N 90NV00H2-M003N0, com a marcação CE e a grelha de países da UE impressas na lateral e 36 meses de garantia declarados na etiqueta. Bateria C41N2406. Se queres perceber se uma listagem difere da outra, não difere, tirando o preço regional e a papelada.
Isto interessa porque a variável relevante nunca foi a configuração. Foi o software, e o software andou muito desde 16 de outubro de 2025. A consola que analisei no lançamento e a consola que tenho usado este mês comportam-se de forma suficientemente diferente para justificar um veredicto novo.

Especificações técnicas
| ROG Xbox Ally X (RC73XA) | |
|---|---|
| APU | AMD Ryzen AI Z2 Extreme, 8 núcleos / 16 threads (3x Zen 5 + 5x Zen 5c), até 5,0GHz, 24MB de cache |
| Gráficos | AMD Radeon 890M, RDNA 3.5, 16 unidades de computação |
| NPU | AMD XDNA 2, até 50 TOPS |
| Memória | 24GB LPDDR5X-8000, soldada, divisão predefinida de 16GB para CPU e 8GB para GPU |
| Armazenamento | SSD de 1TB PCIe 4.0 NVMe M.2 2280, substituível pelo utilizador |
| Ecrã | IPS de 7 polegadas, 1920×1080, 16:9, 120Hz, VRR FreeSync Premium, 500 nits, 100% sRGB, Gorilla Glass Victus, toque de 10 pontos |
| Perfis de energia | 13W Silencioso, 17W Performance, 25W Turbo sem cabo, 35W Turbo ligado à corrente |
| Bateria | 80Wh, 4 células de iões de lítio (C41N2406), carregador USB-C de 65W |
| Portas | 1x USB4 Type-C (compatível com Thunderbolt 4, DP 1.4), 1x USB 3.2 Gen 2 Type-C (DP Alt Mode, PD), microSD UHS-II, jack combo de 3,5mm |
| Sem fios | Wi-Fi 6E 2×2, Bluetooth 5.4 com LE Audio |
| Segurança | Microsoft Pluton, leitor de impressões digitais no botão de ligar |
| Sistema | Windows 11 Home |
| Dimensões e peso | 290 x 121 x 27,5 a 50,9mm, 715g |

Design e construção
É a portátil mais pesada que a ASUS já fez, com 715g, e é também a mais confortável. Os punhos ao estilo do comando da Xbox não são um exercício de estilo. Segurá-la é como segurar um Wireless Controller esticado, com o peso a assentar nas palmas em vez de ficar pendurado nos polegares, e consigo jogar duas horas sem a dor de pulso que uma Steam Deck OLED me dá ao fim de hora e meia. É mais espessa do que uma Legion Go 2 no ponto mais fundo e parece bastante menos desengonçada, porque a massa está distribuída em vez de concentrada numa placa.
Os gatilhos são de efeito Hall, mais altos e mais largos do que os da antiga Ally X, com um curso analógico suave que se nota em Forza Horizon 5. Os analógicos não são de efeito Hall, e essa é a pior decisão de hardware desta máquina. São modulares e na minha unidade continuam impecáveis, mas potenciómetros numa consola de 899 euros em 2026 acabam por derivar, e quem a comprar merece saber isso à partida.
A ASUS também mudou View e Menu para baixo dos botões de Command Center e Biblioteca, contrariando anos de memória muscular. Nove meses depois, continuo a abrir o Armoury Crate quando queria abrir um mapa. Os botões frontais respondem com um clique agradável e são um pouco demasiado sonoros para jogar na cama ao lado de alguém.
A manutenção é mais simpática do que se esperava. Oito parafusos Phillips (cinco atrás, três em baixo, sendo que o do meio na traseira fica cativo) dão acesso a uma ranhura M.2 2280 padrão, ao centro. O cabo da bateria passa por cima dela, portanto convém desligá-lo primeiro. Quem já montou um PC resolve isto em quinze minutos. Os restantes devem comprar um cartão microSD UHS-II rápido e esquecer que a tampa existe.

Configuração e a primeira hora
A máquina arranca num assistente com identidade Xbox e, quando chegamos à biblioteca, já descarregou o Armoury Crate SE, o firmware dos comandos e as atualizações do Windows. Na minha unidade essa sequência inicial levou cerca de 40 minutos com reinícios incluídos, quase toda sem intervenção. O leitor de impressões digitais no botão de ligar é registado durante a configuração e é a melhor comodidade da consola, porque desbloqueia ao premir o botão que já íamos premir, sem deixar dedadas no ecrã.
Vale a pena saber que é nesta primeira hora que a Ally X ainda deixa o Windows escapar. O início de sessão do Windows, a exigência de conta Microsoft, um ecrã de bloqueio pelo caminho: está tudo lá, e é a parte da experiência que menos se parece com a consola que a marca promete. Depois disso, raramente se volta a ver o ambiente de trabalho.

O software, nove meses depois
No lançamento, a Xbox Full Screen Experience era ao mesmo tempo o que havia de mais interessante e de mais irritante nesta consola. Parecia uma interface de consola e comportava-se como uma aplicação Windows, lenta aqui, com falhas ali. Essa crítica deixou em grande medida de se aplicar.
A mudança mais importante é que a interface arranca leve e permanece leve. Em modo Xbox, a minha unidade fica em cerca de 85 processos em segundo plano e cerca de 5GB de memória ocupada antes de abrir um jogo, e passar para o ambiente de trabalho do Windows acrescenta dez processos e cerca de um gigabyte. É essa folga que justifica os 24GB de LPDDR5X. Com 8GB reservados por omissão para a GPU, o peso da interface doeria a sério numa máquina de 16GB, o que diz bastante sobre a Ally mais barata.
A biblioteca finalmente faz o que devia. Desde a atualização de abril é possível adicionar, remover, editar e lançar qualquer jogo ou aplicação instalada a partir da biblioteca Xbox, incluindo títulos da Epic, Battle.net e EA, com um botão de mais para o que a deteção automática não apanha e com nomes, imagens e argumentos de linha de comandos editáveis. O Gamepad Cursor resolve os clientes e as aplicações web que nunca foram pensados para comando. Os Default Game Profiles, que chegaram em novembro, definem configurações e limites de energia sensatos por jogo quando se está sem cabo, e o Advanced Shader Delivery descarrega shaders pré-compilados para que os jogos suportados abram depressa e deixem de engasgar na primeira hora. Mais de mil títulos têm hoje a classificação Handheld Compatible, que é a coisa menos vistosa e mais útil que a Microsoft lançou para esta plataforma.
O Armoury Crate SE merece crédito à parte. O overlay do Command Center é rápido, nunca estorva e expõe controlos a sério: TDP por jogo, deslizadores de SPL, SPPT e FPPT, curvas de ventoinha personalizadas, alocação de memória gráfica. É o melhor utilitário de fabricante que existe neste segmento e faz o equivalente da Lenovo parecer inacabado.
Há um senão. O modo Xbox deixou de ser exclusivo das Ally a 30 de abril de 2026, quando a Microsoft começou a distribuí-lo por PCs com Windows 11 em geral. A melhor razão para comprar esta consola específica no lançamento é agora uma funcionalidade que se consegue numa máquina mais barata.

Desempenho
A história do Z2 Extreme é de eficiência e não de força bruta, e é na escada de potência que vive esta análise. Silencioso a 13W, Performance a 17W, Turbo a 25W sem cabo e 35W com o carregador de 65W ligado. A predefinição da própria AMD para este chip é 28W, ou seja, a ASUS entrega-o deliberadamente contido.
A 17W o retrato é francamente morno. Em Cyberpunk 2077 com a predefinição Steam Deck e sem reconstrução de imagem, a minha unidade fica a dois frames da Ally X de há dois anos, e em Forza Horizon 5 é consistentemente mais lenta, com relógios de GPU inferiores e maior utilização de CPU ao mesmo consumo. Quem comprar o equipamento à espera de um salto geracional no perfil predefinido não o vai encontrar.
Subir para 25W acorda o chip. Cyberpunk sustenta uma média de 61fps a 720p, quase o dobro do que uma Steam Deck OLED consegue, e 40fps a 1080p nativo. Shadow of the Tomb Raider corre em média a 64fps a 720p e 45fps a 1080p. Forza Horizon 5 em baixo fica nos 105fps a 720p e passa os 117fps a 35W, a primeira vez que vi uma portátil aproveitar de verdade um painel de 120Hz num jogo de corridas. Doom: The Dark Ages é o caso honesto de stress: com ray tracing na predefinição mais baixa passa os 30fps a 720p a partir de 25W, fica uns frames abaixo de 30 em 1080p nativo e, com XeSS em Quality a 25W, assenta num jogável 30 a 38fps.
O comportamento sustentado é excelente. Repetir o benchmark de Metro Exodus quinze vezes a 720p em médio manteve uma média de 63fps sem degradação relevante ao longo de meia hora, com os três núcleos Zen 5 a rondar 3,24GHz e os Zen 5c a 2,15GHz. O sistema de dissipação está dimensionado à altura do chip, o que não se podia dizer de todas as portáteis de 2025.
A parte irritante é a reconstrução de imagem. A RDNA 3.5 continua fora da lista oficial de suporte a FSR 4.1, mesmo depois de a versão INT8 ter chegado às gráficas RDNA 3 de desktop com o Adrenalin 26.6.2, em junho. A versão funciona neste hardware, como confirmará quem a forçou através do OptiScaler, e entrega a qualidade de imagem e o ganho que se esperam. Deixar os donos de portáteis a instalar por fora precisamente a funcionalidade que mais os beneficiaria é uma escolha estranha da AMD, e custa alguma coisa à Ally X nesta análise.

Temperaturas, ruído e ecrã
Durante o ciclo de Metro, os punhos ficam entre 29 e 32°C onde as mãos assentam, a saída de ar superior chega aos 45°C e, por dentro, o pacote do CPU estabiliza perto dos 75°C com a GPU nos 71°C. Nada fica desconfortável. As ventoinhas ouvem-se em Turbo, um sopro largo em vez de um assobio, e a curva personalizada está lá para quem preferir trocar uns graus por silêncio.
O painel é o mesmo IPS de 7 polegadas, 1080p e 120Hz que a ASUS usa há três gerações, e a idade nota-se de uma forma concreta: não tem HDR, e os negros passam a cinzento assim que se joga algo de noite. O brilho medido na minha unidade fica ligeiramente acima dos 500 nits anunciados, mais do que uma portátil OLED oferece na rua, e é por isso que não lhe chamo simplesmente um retrocesso. A cobertura é 100% sRGB e suficientemente correta para eu ter deixado de pensar no assunto. A crítica que faço à ASUS é o formato: 16:9 num painel de 7 polegadas significa molduras grossas em cima e em baixo e menos altura útil do que a concorrência em 16:10. Um sucessor em 16:10 melhoraria esta máquina mais do que uma troca para OLED.

Conectividade e jogo na televisão
As duas portas USB-C ficam no topo, uma USB4 a 40Gb/s com compatibilidade Thunderbolt 4 e DisplayPort 1.4, a outra USB 3.2 Gen 2 a 20Gb/s, ambas com saída de vídeo e alimentação. Duas portas em cima é a decisão certa, porque permite carregar com a consola na dock sem um cabo pendurado por baixo. Wi-Fi 6E e Bluetooth 5.4 completam o quadro, e o Wi-Fi 7 nota-se pela ausência.
O jogo na dock era tosco no lançamento e é hoje a área mais melhorada da máquina. Ao encaixar, a imagem passa para a televisão e o ecrã da consola desliga-se, com resolução, taxa de atualização e HDR negociados automaticamente; televisores recentes da Samsung, LG e Vizio entram sozinhos nos respetivos modos de baixa latência. Ao emparelhar um comando Xbox, os controlos integrados desativam-se, e foi isso que finalmente fez títulos como Call of Duty: Black Ops 7 funcionarem como deviam na dock. Um novo widget de ecrã na Game Bar permite mudar resolução e taxa de atualização com o comando em vez de entrar nas Definições do Windows, e mostra apenas os modos que a televisão suporta.
A Auto Super Resolution está em pré-visualização para Insiders na Ally X, apenas na dock, usando a NPU para entregar detalhe próximo de 1440p a partir de um alvo de renderização mais baixo. Em Forza Horizon 5 convence. Chamar-lhe acabada seria generoso, e é a funcionalidade que mais demorou a chegar de tudo o que foi prometido em agosto de 2025.

Autonomia
Oitenta watt-hora soam a muito e rendem menos do que se esperava, porque os ganhos de eficiência a determinado consumo são moderados. Em modo Performance a 17W, com o painel limitado a 60Hz e o brilho a 50%, Marvel’s Midnight Suns levou uma hora e 32 minutos a gastar metade da bateria, e Alan Wake 2 com FSR2 sobre um alvo de renderização orientado ao desempenho levou uma hora e 35 minutos. Extrapolando, ficamos em cerca de três horas com o ecrã deliberadamente travado. Em Turbo a 25W isso cai para perto de duas. A descer para 10 ou 13W em jogos independentes, quatro horas e pouco é realista.
Face à antecessora, o Z2 Extreme é cerca de 17% melhor em desempenho por watt, já que iguala um Z1 Extreme a 30W consumindo 25W. A ASUS anunciou “até 2x” mais autonomia do que a ROG Ally X e não vi nada perto disso em uso normal.

Preço e valor
No lançamento, os 899 euros em Portugal e os 999,99 dólares nos Estados Unidos eram a objeção mais alta que se fazia a esta consola, a minha incluída. Esse argumento foi ultrapassado pelos acontecimentos. O aperto global na DRAM e na NAND empurrou a Ally X cerca de 200 euros equivalentes para cima no Japão e na Austrália durante o primeiro semestre de 2026 e, em maio, a Valve subiu a Steam Deck OLED de 549 para 789 dólares na versão de 512GB e de 649 para 949 dólares na de 1TB. Uma Legion Go 2 pede 1.349,99 dólares. A Ally X manteve o preço americano, e uma máquina que parecia caríssima em outubro é hoje uma das compras mais sensatas do segmento, o que diz mais sobre o mercado das memórias do que sobre a ASUS.
O que continua a incomodar é o que falta na caixa. Há um carregador de 65W e um pequeno suporte em cartão. A bolsa oficial é paga, numa consola de 899 euros pensada para sair de casa.

Veredicto
A ROG Xbox Ally X é a melhor portátil Windows que se pode comprar, e precisou de nove meses de correções para o merecer. O hardware sempre foi bom, com ergonomia melhor do que a de qualquer rival, um sistema de dissipação que aguenta os números em carga prolongada e um chip que compensa quem tire o TDP da posição conservadora em que vem. O que chegou tarde foi a disciplina do software: uma interface que arranca leve, uma biblioteca que aceita finalmente todas as lojas, jogo na televisão que se comporta como consola e perfis por jogo que nos poupam a andar a mexer em definições em vez de jogar.
Trava-a um conjunto de decisões que a ASUS podia ter tomado de outra forma e uma que a AMD ainda pode corrigir. Analógicos com potenciómetro numa portátil de topo acaba por não ter defesa possível. O painel IPS em 16:9 está uma geração atrasado. O FSR 4.1 funciona e continua sem suporte oficial, o que significa deixar desempenho na mesa exatamente para quem mais precisa dele. E a chegada do modo Xbox a todos os PCs com Windows 11, em abril, retirou a razão mais clara para pagar o prémio da ASUS.
Se queres ter uma máquina única que corre qualquer coisa de qualquer loja, no ecrã ou na televisão, e preferes passar as noites a jogar em vez de a afinar, a Ally X é para ti.